Parece coisa de filme de ficção, mas não é, não. Existe um outro lado dos produtos orgânicos que nada tem a ver com as vantagens já amplamente discutidas por aí. Já sabemos, por exemplo, que estes produtos não contêm agrotóxicos e nem aditivos químicos, sendo mais saudáveis para o agricultor e para o consumidor. Além disso, não oferecem tantos riscos ao meio ambiente, como acontece no caso dos transgênicos.

Mas só me dei conta da outra faceta dos orgânicos, quando fui, outro dia, a um Supermercado com uma amiga e ela, espantada, comentou:
“Nossa, como você é rápida nas compras!”

Eu nunca tinha percebido isso, mas é verdade. Nosso percurso dentro de um supermercado é muito bem definido e não sofremos as influências do marketing. Das promoções do tipo “leve 3 e pague 2”, da disposição dos produtos, estrategicamente colocados para atiçar nosso instinto consumista, e muito menos daquelas ofertas espetaculares que sempre surgem quando o produto está próximo do vencimento da data de validade.

Quem compra produtos orgânicos nem passa pela seção dos congelados, refrigerantes, comidas prontas, biscoitos e pães industrializados. Não fica refém dos dias de varejão ou comparando folhetos de ofertas dos vários supermercados da região. Aliás, nem pega folhetos, pois eles nada têm de sustentáveis.

Quem compra produtos orgânicos tem o olho treinado para encontrar o selo de certificação e, não sei se perceberam, mas ele anda cada vez mais presente. Já temos sucos, iogurtes, manteiga, requeijão, leite, ovos, mel, frutas, verduras, legumes, farinhas, açúcar, café e outras coisas que não estou lembrando agora.

Mas o que eu considero de maior valor, em relação à questão dos produtos orgânicos, é que quando incorporamos o hábito de consumir alimentos mais saudáveis e sem química, também começamos a buscar essa “pureza” de olhar em outros lugares.

Percebemos, por exemplo, que não precisamos de um exército de produtos de limpeza para limpar a casa. Entendemos que estes produtos poluem o meio ambiente e contaminam a quem os manipula. Isso sem falar nas questões do transporte, embalagens e propagandas. Descobrimos que água, vinagre e limão podem fazer maravilhas e que são bem mais baratos!

Aplicamos os mesmos princípios ao escolher cosméticos, ao utilizar sacolas plásticas, ao nosso comportamento na sociedade, à nossa atitude com a família e no trabalho. Mas nada é pesado, forçado. Parece até que, à medida em que nos alimentamos com produtos mais puros, naturalmente vamos sofrendo essas transformações, ficamos mais ligados ao nosso entorno e menos preocupados com nosso umbigo. Gosto disso e me faz mais feliz.

Por Nadia Cozzi

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